No ritmo que estamos,
é bom que se proteja,
cada um do outro,
tome uma cerveja.
Se anestesie,
essa vida é dura
pra que a encaremos
sem uma armadura.
Viaje consciente,
só se alivie
do que fez de errado,
algo providencie.
Ajude aos outros,
ande em seu caminho.
E quem for malvado,
mate-o no ninho.
E, às sextas-feiras,
nunca se olvide
de agradecer
as roupas no cabide.
Deus está conosco,
é bom que não se esqueça,
pra que o obedeçamos,
pra que não se enlouqueça.
E quanto à agonia,
se for insistente,
tente terapia,
não fique impotente.
Agradeça aos grilos, corujas e serpentes.
O que do triste seria se não fosse o sorridente ?
Festeje, bailando,
seja incoerente,
pra que ter juízo,
não seja inocente !
Chute pedras soltas,
não se amedronte,
aja por impulsos,
leve alguns sustos,
às vezes se surpreenda,
é bom não saber tudo,
é bom que se aprenda.
Seja um marinheiro
de primeira viagem,
não seja apenas um marujo.
Jogue sempre limpo,
nunca jogue sujo,
pois as regras atingem
os que jogam noutro lado.
Jamais se precipite
nos precipícios da vida.
E, bem tarde da noite,
vítima de feroz açoite,
se oriente pelas estrelas
e se houver algum brilho da lua,
finja que a possua,
que ela é toda sua
no atacado
e no varejo.
Tenha nos lampejos
Úteis aliados.
Sê amigo dos beijos
Dos eternos namorados.
Não tema das grutas
a profundidade.
Que no meio da luta
prevaleça a verdade.
Mas a briga,
o azedume,
companheiro,
é a dor de barriga,
a falta do dinheiro,
a rosa sem perfume
no meio do espinheiro.
É a traição do amigo,
a pisada na bola,
a sensação de perigo,
o aluno na escola,
aprendendo de repente
a ser algo, a ser gente,
a falta de incentivo,
a injustiça c’a gente.
É essa coisa freqüente,
essa tal de corrente.
E, se ficarem curiosos,
com seu ar de contente,
não complique,
apenas explique
que está incongruente !
© MMVIII by alcanu

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